A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA ALFABETIZAÇÃO. Pelo professor Evandro Mattana.

 

Dentro de uma perspectiva de ensinoaprendizagem, entendemos que a formação da criança, enquanto processo de alfabetização, pode ser feita de diferentes formas. Há crianças, por exemplo, que já entram na escola com um relativo aprendizado de alfabetização, isto porque o seu meio lhe proporcionou condições de uma introdução aos meios de alfabetização. Neste caso, nos referimos àquelas crianças que no convívio do meio familiar, encontram subsídios diversos para se alfabetizarem, que vão do incentivo à observação, distinção de cores ou ordenação de numerais, por exemplo. Pais que tem por hábito a leitura, o acompanhamento de jornais e revistas, bem provavelmente, terão melhores condições de proporcionar aos seus filhos, um dinamismo em repassar informações as quais venham despertar na criança um maior interesse sobre as diferentes situações de convívio e um melhor entendimento dos meios de se comunicar. Existem crianças, entretanto, que ficam restritas a estas possibilidades, sendo a Escola neste caso, aquela que dará início ao processo alfabetizador. A aliança entre a família e a escola passa a ser, a partir da introdução da criança no meio social educativo, de vital importância, pois, através da construção do conhecimento através da observação, percepção e identificação de objetos como letreiros de lojas, placas de trânsito, orientações simples de comportamentos em relação ao cotidiano, acabam por desenvolver na criança o espírito de criação. A criança por si só é bastante indagadora e é, neste momento, que as diferentes orientações vão proporcionar em seu processo de desenvolvimento e alfabetizador um grande crescimento. A partir deste cenário, a manutenção do diálogo entre família e escola colabora sobremaneira para a própria organização pedagógica como um todo. O diálogo é uma das melhores formas na formação de ideias àquele que está em processo de desenvolvimento alfabetizador. Tal evidência fica demonstrada no ato em que se começa a rascunhar as primeiras escritas, onde há dificuldade plena na organização das ideias. Existem autores que indicam que a formação da criança em seu meio social, seja na família ou na escola, passa pela forma coercitiva na idealização e compreensão das coisas. Talvez, isso decorra do sentido moralista que a sociedade de certa forma conduz o processo de regramento do meio. Outros indicam que a preocupação em demasia com os conteúdos de ensino não gera resultados criativos e tolhem de certa forma o desenvolvimento tanto na alfabetização como no processo de ensinoaprendizagem. A condição de sujeito no processo, neste caso, acaba sendo substituído pelo caráter humanístico de objeto, não permitindo um amplo desenvolvimento do ser de forma individual e crítico. O domínio da escrita acelera as formas de comunicação entre as pessoas. Como exemplo, poderíamos citar que muitas crianças, por terem um ensino familiar coercitivo, não expressam suas angústias e anseios pela fala, mas sim, acabam por escrever pequenas cartas para traduzirem o seu sentimento. Esta é uma forma de alívio à criança, que passa a externar a sua linguagem não pelo medo que a fala possa gerar, mas pela forma escrita que pode representar uma menor coerção. Outra forma de melhorar o sentido da alfabetização enquanto organização é à disposição de classes ou espaços escolares. Como modelo observatório, a disposição de classes em filas como é mais comum, talvez possa ser substituída em alguns momentos por outra forma de layout, como em círculos, ângulos, proporcionando ao educando uma interação frontal com os colegas. Isso deverá levar ao amadurecimento coletivo, visto que as pessoas passam a dialogar e trocar suas experiências frente a frente, forma esta que “induz” a fala “olho no olho”. Bem provavelmente seja uma forma de quebrar um pouco o medo, a vergonha, a timidez. Entendendo que a alfabetização seja um processo de aprendizagem do sistema de escrita e ortográfica, ainda assim, é oportuno e necessário a ampliação de métodos orais, observatórios e indutores à percepção. Por fim, além de todos os mecanismos considerados ideais para a construção do processo alfabetizador, como oralidade, escrita, observação e percepção, a figura do professor bem preparado é indispensável à construção de um método eficaz e de resultados que busquem o incessante crescimento social e educacional.

 

 

Evandro Mattana




Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: