Economia brasileira cresce 0,8% no terceiro trimestre

Indústria teve alta de 0,4% neste terceiro trimestre, a primeira do ano: o resultado foi puxado pelas indústrias de transformação Foto: Márcia Foletto / Agência O GloboResultado é o melhor desde o primeiro trimestre de 2017. Consumo, investimentos e serviços puxam a alta. No entanto, crise só deve ser superada em 2021.
Indústria teve alta de 0,4% neste terceiro trimestre, a primeira do ano: o resultado foi puxado pelas indústrias de transformação Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo

A economia brasileira acelerou no terceiro trimestre do ano, ao registrar expansão de 0,8% em relação aos três meses anteriores, de acordo com o IBGE. De abril a junho, a alta fora de 0,2%, resultado afetado pela greve dos caminhoneiros que parou o país em maio. Mas o ritmo da recuperação segue lento e frágil. Desde que saiu da recessão no primeiro trimestre de 2017, o PIB tem avançado lentamente, em média, 0,5% por trimestre, segundo cálculos da economista Silvia Matos, da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Se seguir nesse ritmo, o país só vai recuperar as perdas com a recessão e superar o nível de antes da crise em 2021. Até lá, toda a expansão ocorrida de 2017 a 2020 só serviria para compensar as perdas registradas nos 11 trimestres de recessão, entre 2014 e 2016, quando a economia encolheu 8,1%:

 

– Precisamos criar condições de a economia crescer com mais força e de forma sustentável. Do contrário, essa fraqueza reduz o seu potencial de expansão. Reverter esse cenário depende da reforma da Previdência, do ajuste fiscal e do destravamento dos investimentos, tanto públicos quanto privados. A agenda é determinante para que o país volte a gerar empregos formais, melhore a renda das famílias e impulsione o consumo.

Volta ao nível de 2012

No terceiro trimestre, a economia brasileira ainda operava 5% abaixo do pico, alcançado nos três primeiros meses de 2014. Segundo Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, a economia está produzindo o mesmo que no primeiro semestre de 2012:

– Estamos com um crescimento contínuo, mas as taxas não podem ser consideradas expressivas.

Segundo Silvia, da FGV, quando se observa o comportamento da economia desde 2017, dos quatro setores que têm sido responsáveis pelo retomada do crescimento, apenas a indústria de transformação e o consumo das famílias têm desempenho um pouco acima da média geral para o PIB. O primeiro avança, em média, 0,8% por trimestre, e o segundo, 0,6%. Os outros dois motores, os serviços e os investimentos, seguem com ritmo mais fraco. Ambos têm crescido 0,4%, em média, a cada três meses.

 

O Globo




Deixe uma resposta